Um blog criado a 4 mãos, uma parceria entre irmãs, para comentarmos sobre os livros que lemos, e compartilhar opções de boa leitura.
Escolha um livro, pegue uma xícara de café e venham me desfolhar, sintam-se à vontade.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Cinco anos da minha vida - A história de um inocente em Guantánamo.

Título: Cinco Anos da Minha Vida - A História de um inocente em Guantánamo.
Autor: Murat Kurnaz
Gênero: Biografia / Guerra
Editora: Planeta
Ano: 2008
Páginas: 303








"Vi dois soldados batendo em um homem caído no chão (...) um cobertor estava enrolado na cabeça do preso. Eles batiam em sua cabeça com a coronha das armas e chutavam seu corpo com as botas. Outros guardas e soldados juntaram-se à eles. Eles também chutaram e bateram nele. Eram então sete soldados. (...) Vi que o homem logo parou de se mexer. Os soldados continuaram chutando.
De manhã o preso continuava caído do mesmo jeito lá. Então pude perceber que o cobertor estava completamente enrolado na cabeça. Como ele poderia respirar? Ele estava sobre uma poça de sangue.
De tarde vi os oficiais virem e o observarem. Fizeram anotações (...) tiraram o cobertor de sua cabeça, levantaram-no e o deitaram em uma maca. Seus braços e pernas pendiam sem vida. Ele estava morto."


EUA, o país da democracia e maior representante dos direitos humanos! Será?
E o que acontece no Campo de Detenção de Guantánamo? Bem, isso eles não contam...
Quem nos conta é Murat Kurnaz, um Jovem turco - Alemão, preso durante uma viagem ao Paquistão e vendido como terrorista para as autoridades estadunidenses, que estavam em busca de "culpados" pelo atentado de 11 de setembro.
Murat foi levado ao Campo de Detenção de Guantánamo, onde passou cinco anos preso, sendo acusado de terrorismo, sem nenhuma prova que o condenasse, sem processo e sem direito à julgamento. Sendo constantemente interrogado e sofrendo torturas para que confessasse ser membro de grupos terroristas. 
Ele relata no livro o dia a dia dele e demais prisioneiros em Guantánamo, descrevendo tratamentos desumanos; interrogatórios, torturas, espancamentos:

"Eles colocam os eletrodos na sola dos meus pés. (...) Sinto a corrente elétrica no corpo todo, dói muito, sinto calor, câimbras, espasmos, os músculos se contraem, pulam, doem (...) Só sei de uma coisa: vou desmaiar ou morrer. Mas eles sempre voltam a tirar os eletrodos dos meus pés. Isso é pior, assim a dor volta até a gente achar que não consegue mais aguentar.  Acho que desmaiei. Então eles devem ter parado."

Enquanto isso, no brasão de Guantánamo, ironicamente havia escrito: "Compromisso de honra em defender a liberdade"
Será assim que se defende a liberdade? Será esse o exemplo de respeito aos direitos humanos?

Para quem quiser saber mais, h
á várias reportagens denunciando o abuso de poder e o tratamento desumano que os soldados estadunidenses utilizaram contra os prisioneiros em Guantánamo. A Prisão ganhou grande repercussão internacional devido às atrocidades alí cometidas, tendo sido local de tortura durante muito tempo, sem se submeter à qualquer tipo de lei. 
No documentário intitulado "Inside Guantanamo" da National Geographic, um ex-guarda de Guantânamo detalha os crimes cometidos na prisão; os variados tipos de torturas, espancamentos brutais, abuso sexual, desrespeito às práticas religiosas, transporte dos detentos em jaulas e até detenção de crianças.
Caminho para Guantánamo é outro documentário sobre o tema que vale a pena ser visto, nele é narrada a história de três jovens britânicos de ascendência paquistanesa presos no Afeganistão em 2001, levados para a prisão de Guantánamo, erroneamente acusados de terroristas. O filme foi premiado com o Urso de Prata na categoria melhor diretor no Festival de Berlim de 2006.




Sobre Guantánamo:
Guantánamo é um pedaço de terra de 116Km² em território cubano sob domínio dos EUA. Em 1903, os Estados Unidos assinaram um contrato de arrendamento perpétuo desse território com o interesse em mineração e em operações navais.
Não demorou para se tornar uma prisão militar. Em 1942, após o ataque japonês à base de Pearl Harbor, o presidente Roosevelt assina um decreto que autoriza a prisão de estadunidenses de origem japonesa. Milhares de pessoas foram presas em campos clandestinos sob controle militar. Além de prisioneiros que supostamente seriam terroristas, a Prisão de Guantánamo abrigou também detentos de forma clandestina, que não tinham razão justificável para estarem detidos, inclusive imigrantes ilegais que deveriam ser deportados à seus países de origem.
Em 2009, o presidente Barack Obama assina um decreto-lei para fechar Guantánamo, e foram extintas as comissões militares criadas durante o governo Bush. O fechamento ainda está em tramite, em parte por causa dos obstáculos colocados pelo Congresso dos EUA, composto em sua maioria por adversários políticos de Obama, que resistem ao fechamento.
Fontes: infoescola e wikipédia.


terça-feira, 9 de dezembro de 2014

A Menina Que Não Sabia Ler

Título: A menina que não sabia ler
Autor: John Harding
Editora: Leya
Páginas: 282
Ano: 2010











A menina Florence de 12 anos e Glibe seu irmão de 8 anos vão morar na mansão Blithe, filhos de mães diferente ficaram órfãos muito cedo e seu tio passa a ser seu tutor, mas o tio em questão vive na Europa, sendo assim as crianças ficam por conta dos criados; Meg, Mary, John e a governanta Sra. Grouse.

O livro é um suspense (leve), narrado pela própria Florence, sob o ponto de vista de seus interesses: ler, brincar e proteger seu irmão de qualquer perigo ou suspeita dele, e é seguindo esse raciocínio que a trama vai se desenrolando.

No começo o livro é um pouco cansativo, arrastado, o tio de Florence é contra a educação feminina, já que a história se passa em 1891, então ela é proibida de estudar, mas ao vagar pela mansão ela encontra a biblioteca e fica maravilhada com os livros. Florence é uma menina inteligente e aprende a ler sozinha, dessa forma ela passa horas escondida na biblioteca sem que ninguém de por falta, lendo muitos livros, incluindo clássicos como Edgar Allan Poe. No começo essa "tranquilidade" de Florence só é quebrada pelas visitas do vizinho Theo Van Hoosier, que vive a lhe fazer poemas desastrosos...

E já que Florence não será alfabetizada, Glibe é mandado pra escola mas acaba expulso, e seu tio-tutor contrata uma preceptora pra lhe dar aulas em casa e é ai que as coisas começam a ficar estranhas. A primeira preceptora Sra. Whitaker morre acidentalmente no lago e a segunda preceptora, Sra. Taylor é a responsável por fazer Florence acreditar que algo muito suspeito e até mesmo sobrenatural acontece por ali.

A mansão é cheia de mistérios, sons, cheiros e muitos segredos... Florence costuma ter sonhos estranhos, as vezes vaga pela noite em crises de sonambulismo, e fatos misteriosos começam a acontecer após a chegada da Sra. Taylor. No desenrolar da trama o leitor fica em dúvida se é verdade ou se é tudo fruto da imaginação fértil da menina devido aos livros que lê sozinha, (o que seria minha aposta!). O autor não deixa isso claro ao longo do livro deixando que cada leitor tenha sua opinião sobre a história. O que alguns leitores podem não gostar, e outros podem achar que é uma brecha para que sua imaginação organize os fatos, dando forma a uma linha de raciocínio.

O final não é óbvio nem banal, chegando a ser desconcertante, talvez até um pouco exagerado levando em consideração uma menina de 12 anos ser a mentora de todo desfecho, ao mesmo tempo que entendemos que Florence sabe que está sozinha no mundo e precisa cuidar de si e de seu irmão.

Minha dúvida é: "Florence é inocente ou vilã?"


Observação: O título em português não condiz exatamente com a trama, pois a história não se baseia no fato dela não saber ler, mas nos mistérios que rondam a casa e seus personagens. O título original do livro é "Florence and Giles" muito mais apropriado, assim como a foto da capa que segue abaixo.



segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Uma vida sem limites


Título: Uma vida sem limites
Autor: Marcos Rossi
Gênero: Biografia / Auto-ajuda
Ano: 2011
Páginas: 118












Marcos Rossi é portador da síndrome de Hanhart, uma doença congênita rara que se manifesta no feto, do qual o bebê nasce sem partes ou completa ausência de braços e pernas. No livro ele conta sua história, marcada por um caminho repleto de dificuldades pela sua limitação física, e de suas superações. Fala do convívio com as outras pessoas, da ajuda de amigos e familiares, do esforço para levar uma vida normal, das adversidades sofridas e superadas. Mais do que isso, mostra que é possível viver bem e ser feliz mesmo com tamanha limitação, mesmo com a falta de estrutura para deficientes físicos que presenciamos frequentemente em diversos locais públicos, mesmo com o preconceito e julgamento alheio. 

A história dele é semelhante ao do famoso palestrante australiano Nick Vujicic, tendo seu livro publicado na Austrália em 2010. Coincidência, ou não, ambos levam o mesmo título.
Assim como Nick Vujicic, Marcos tb exerce a função de palestrante motivacional, tentando mostrar às pessoas que é possível vencer os seus obstáculos, e que o ser humano é adaptável às circunstâncias. Assim como em suas palestras, seu livro também busca mostrar ao leitor o quanto somos capazes de nos superar e de viver uma vida "sem limites."



sábado, 22 de novembro de 2014

O Segredo do Meu Marido

Título: O Segredo do meu Marido
Autora: Liane Moriarty
Editora: Intrínseca
Gênero: Romance
Páginas: 366

Ano: 2014










O livro narra a história de três mulheres; Cecília, Rachel e Tess, e suas respectivas famílias.

Cecília Fitzpatrick e seu marido John Paul Fitzpatrick são os personagens principais, família de classe média, estruturada e tranquila, com 3 filhas.  John-Paul escreveu uma carta que deveria ser aberta por Cecilia apenas quando ele já tivesse morrido.  O que já achei desnecessário, passar o “peso” de um segredo-confissão post-mortem, mas esse é o fator relevante do livro. O caso é que Cecília descobre a carta no início do livro e a história se desenrola.....

"Para minha esposa Cecilia Fitzpatrick. Para ser aberto apenas na ocasião da minha morte"

Rachel é avó de Jocob, que está de mudança pra Nova York com seus pais Rob e Lauren.
Tess fica sabendo que seu marido Will está apaixonado pela sua prima Felicity.
E as histórias das três famílias vão se misturando ao longo do livro.

Para mim, desde os primeiros capítulos, o segredo ficou um tanto aparente, e no meio da história ele é revelado, o que deixa o livro um pouco cansativo, mas a partir dai os conflitos pessoais começam a ser trabalhados, e como os personagens vão direcionar suas vidas a partir daquele ponto. Muitas vezes a questão é: “Julgamos muito o certo e o errado, mas será que se fosse com você, seria diferente?”

Achei esquisito que nós leitores possamos descobrir o segredo antes mesmo da esposa! Ao mesmos tempo que isso te deixa na expectativa de quando e como ela vai descobrir. E qual será a reação dela.

E se fosse com você?


É um livro de leitura fácil, leve, e que aborda sutilmente a questão do perdão e das consequências que nossos atos possam vir a ter no futuro.


sábado, 1 de novembro de 2014

Extraordinário



Título: Extraordinário
Autora: R.J. Palacio
Editora: Intrínseca
Gênero: Infanto-Juvenil
Páginas: 318

Ano: 2012







Toda pessoa deveria ser aplaudida de pé pelo menos uma vez na vida, porque todos nós vencemos o mundo.....

Frase clichê mas que ganha a mais profunda verdade no contexto do livro Extraordinário, a história de August Pullman ou Auggie, um garoto que tem o rosto severamente deformado pela "Disostose Bucomaxilofacial" complicada por uma "microssomia hemifacial"


Auggie tem 10 anos e foi alfabetizado em casa pela mãe, mas agora os pais acham importante que ele vá pra escola mesmo sabendo de todas as dificuldades que virão pela frente devido sua condição. E não foi diferente. O preconceito das crianças e seus pais, a maldade, a estranheza  frente ao diferente, ao incomum, ao extraordinário.




Ao iniciar as aulas no colégio Breecher Prep, Auggie se vê frente a todas essas adversidades, o Diretor Sr. Buzanfa conduz a situação da melhor maneira possível, até por ser a favor da inclusão e por acreditar que tudo pode se ajeitar da melhor maneira possível.


Com uma narrativa extremamente emocionante e simples que fala direto ao coração, o livro é narrado na terceira pessoa sob o ponto de vista de Auggie, mas a narrativa também conta a visão de amigos e familiares sobre as mesmas situações, e sobre quem é esse menino.




Os últimos capítulos do livro são muito envolventes, tocantes, você não quer parar de ler até que: "Toda pessoa seja aplaudida de pé pelo menos uma vez na vida, porque todos nós vencemos o mundo"


No discurso de formatura do Sr. Buzanfa, ele cita frases que te fazem refletir, como:


"Coragem. Bondade. Amizade. Caráter. Essas são as qualidades que nos definem como seres humanos."


"A "Grandeza" não está em ser forte, mas no uso correto da força, pois grande é aquele cuja força conquista mais corações pela atração do próprio coração."


"Carregamos conosco como seres humanos não apenas a capacidade de ser gentil, mas a opção pela gentileza."

E para registro a frase que meu filho Yuri de 8 anos mais gostou: "É engraçado como as vezes nos preocupamos muito com uma coisa e ela acaba não sendo nem um pouco importante"






quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Meninas da noite


Título: Meninas da noite
Autor: Gilberto Dimenstein
Gênero: Jornalismo
Editora: Ática
Ano: 1992
Páginas: 163










Brasil, um país subdesenvolvido, ou um país emergente? Depende à qual Brasil você se refere. Existem 2 mundos completamente opostos dentro de um mesmo país, separados pela tênue linha norte-sul. Dois mundos fisicamente tão próximos e culturalmente tão distantes.
Gilberto Dimenstein convida o leitor à acompanhá-lo por essas terras, numa investigação sobre tráfico humano. Crianças e adolescentes sequestradas, aliciadas, ou vendidas por suas próprias famílias, para ser prostitutas-escravas nos prostíbulos e garimpos do norte do país, onde a prostituição infantil, o abuso sexual, o trabalho escravo, o estupro, a pedofilia, são coisas "normais". O autor relata a naturalidade com que o assunto é tratado entre os envolvidos, onde ele se viu como o único indignado com a situação, que para os demais é fato comum, parte da cultura.
O livro traz depoimentos com várias dessas meninas, muitas ludibriadas com falsas promessas de emprego e bom salário. Ao chegarem ao local eram obrigadas a se prostituir, lá já chegavam devendo o valor da passagem e só podiam ir embora quando pagassem, porém a dívida só crescia, com refeições, moradia, roupas, remédios... O dinheiro ia todo para as mãos dos cafetões e a divida não acabava nunca. A PM por sua vez, também era cúmplice do esquema, como capitães do mato capturavam as meninas fugitivas e as levavam de volta para os seus "donos." (E você aí achando que a escravidão acabou com a lei áurea? É, eu também aprendi isso na escola...)

Meninas da noite é um livro reportagem desenvolvido para a folha de São Paulo, foi publicada em 6/2/1993. O assunto virou destaque internacional no The Washington post (EUA) The Guardian (Inglaterra) e primeira página do Corriere Della Sera (o mais importante da Itália). Porém o governador do estado do Pará, Jader B. e sua esposa Alcione Barbalho, cúmplices do esquema, reagiram com ironias e agressividade à publicação da matéria, publicando em reposta, matérias ofensivas em seu jornal; O Diário do Pará. Absurdamente, a revolta no Pará foi contra o jornal, o jornalista e a publicação da matéria, e não contra a escravidão e o tráfico, porém a repercussão internacional forçou o governo brasileiro a tomar uma atitude e a polícia federal invadiu o local, as meninas foram libertadas, e os cafetões presos. Os casos de tortura, ameaças e assassinatos de meninas vieram à tona.

É inadmissível a prostituição infantil, a escravidão, o tráfico de pessoas, e a impunidade à quem enriquece as custas dessas crianças e adolescentes, sem nenhuma represália, e contando ainda com o apoio do governo e da polícia.
O livro é de 1992. Mas vocês acham que muita coisa mudou nesses últimos anos? Basta uma simples pesquisa para ver que as denúncias contidas no livro, em 1992, infelizmente se faz tão atual quanto o último lançamento.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Como Falar Dragonês (Volume III)

Título: Como Falar Dragonês
Autor: Cressida Cowell
Editora: Intrínseca

Gênero: Infanto-Juvenil
Páginas: 223
Ano: 2010













“Como Falar Dragonês”, mais uma vez
Soluço Spantosicus Strondus III, se vê envolvido em várias aventuras que ele de fato não queria entrar!

Soluço que continua baixinho, com sardas e cabelo ruivo, acompanhado de seu pequeno Dragão Banguela, cuja característica mais notável é ser realmente pequeno, ao ponto de caber no bolso de Soluço.

Soluço é o único Viking que sabe falar a língua dos dragões, o Dragonês, e um pouco de latim Língua dos Romanos, que lhe foi ensinado em segredo por Velho-Enrugado, se avô.

Tudo começa com a aula de como abordar uma Nau inimiga, no mar conhecido como Banheira de Odin. A ideia é abordar um barco de pesca pacífico, apenas como treino do Programa de Treinamento de Piratas na Ilha de Berk. Soluço e Perna-de -peixe, seu melhor amigo que mais parece um pernilongo vesgo com asma, construíram um barco, o Papagaio-do-mar-Esperançoso mas o barco se assemelha à um acidente flutuante.

Bafoca-de-Maluquício e Melequento não são exemplos de comportamento e tem como hobby importunar Soluço, Melequento manda que seu dragão Lagarta-de-Fogo pule em Soluço, que em meio a neblina foi pego de surpresa, e ao tirar as mãos do leme é golpeado por Gavião-da-Europa, barco de Melequento, o golpe faz o Papagaio-do-Mar-Esperançoso girar várias vezes até se perder na Banheira-de-Odin.....



O barco vai parar em águas mais quentes, da Corrente-de-Verão onde vivem os Dragões-tubarão, e para escapar do terrível Dragão-Tubarão eles abordam um barco que consideraram ser pacifico, mas era na verdade um barco de Romanos, os piores inimigos dos Vikings, cujo chefe, Gordo-Romano tem um apetite voraz por dragões, em especial Nano-dragões, como Banguela.

 Banguela acaba capturado, e muita coisa ainda esta por vir.... 

Camicase, as Ladras-do-
Pântano, Berta-a-Peituda...

Como escapar dos Romanos?
Quem será o misterioso General Magro?

Como libertar Banguela?

Como nosso herói vai sair dessa enrascada?

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Psicopatologia e psicodinâmica na análise psicodramática.


Título: Psicopatologia e psicodinâmica na análise psicodramática. Vol. IV
Autor: Victor Dias e colaboradores.
Editora: Ágora 

Gênero: Psicologia
Páginas: 237
Ano: 2012










Este é o 4° livro da coleção "Psicopatologia e psicodinâmica na análise psicodramática" Destinado à estudantes e profissionais da psicologia, pode ser considerado um livro didático pelo seu conteúdo,  porém é um livro de linguagem simples e de fácil entendimento à qualquer leitor leigo no assunto, que simplesmente goste do tema abordado.
Neste volume os autores abordam temas como; a necessidade ou não do uso de medicação na psicoterapia, a conduta ética do profissional, defesas psicodramáticas, desvios sexuais, doenças auto-imune,  terapia de casal, terapia de adolescentes, consolidação de identidade própria e neurociência. Os autores citam técnicas de tratamento, exemplos de casos tratados, comparações e exemplos de teoria reichiana, psicodrama moreniano, psicanalise freudiana, entre outros estudos e teorias.
O texto simples e de fácil entendimento torna o livro uma ótima dica de leitura para quem gosta de psicologia, e seu conteúdo didático é de uma ótima fonte de estudo para estudantes e profissionais da área.

É uma coleção de 4 volumes porém eu só tenho este. Para quem quiser saber mais há informações neste site "Escola paulista de psicodrama"

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

A busca - Memórias da resistência.


Título: A busca - Memórias da resistência
Autor: Liszt Vieira
Gênero: História / Política
Editora: Hucitec
Páginas: 204
Ano: 2008










O livro traz um relato pessoal dos anos de chumbo, não só no Brasil como no Chile e na Argentina. O autor fala do seu envolvimento nas organizações de esquerda, da vida de alguns dos companheiros mais próximos, de sua participação no sequestro do cônsul japonês para libertação de presos políticos, de sua prisão, das torturas, dos assassinatos, do treinamento de táticas de guerrilha em Cuba, de sua vida no exílio, no Chile, na argentina e na França.
O autor deixa muito à desejar no quesito história e informação, é mais um relato pessoal, com trechos desinteressantes como suas namoradas e seu trabalho, que de nada acrescenta ao leitor, ainda assim é interessante ver a história do ponto de vista de um exilado, obrigado a deixar seu país, vivendo sem pátria, sem saber quando e se poderá voltar à sua terra e rever seus familiares.

"Lutávamos pelo socialismo, contra o capitalismo, mas acabou sendo uma luta pela liberdade. Uma luta de resistência democrática contra a ditadura."

"Naqueles anos de chumbo imperava a mediocridade. Não havia teatro, cinema, televisão que valesse a pena. A classe média estava anestesiada pelo milagre econômico. O povão trabalhava de dia, e de noite via novela. Os militares que não se dedicavam as nobres tarefas de torturar militantes ocupavam-se de enriquecer com a corrupção no estado. Fortunas foram feitas do dia para a noite, e a mídia, amordaçada, não podia investigar, muito menos publicar"




Jornal "O Globo" Dezembro de 1968


quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Egito dos faraós.


Título: Egito dos faraós
Autor: Airton Ortiz
Editora: Record
Gênero: Viagem
Páginas: 278
Ano: 2005











Airlton Ortiz convida o leitor à uma viagem ao Egito dos Faraós. O ponto de partida é a capital Cairo, uma cidade cheia de vigaristas e oportunistas, que, confesso, me fez gostar um pouquinho mais do povo brasileiro, além de colocar tal local na lista dos "lugares para não conhecer nunca."

"No saguão de desembarque fomos envoltos por uma turba de agressivos  taxistas, hoteleiros, cambistas, guias, vendedores ambulantes, biscateiros, desempregados, curiosos (...) Eles nos cercam com seus olhares gananciosos, nos tocam, nos apalpam, querem carregar nossas mochilas, quase as arrancam de nossas costas. Aproximam-se sorridentes, cheios de cortesias (...) são os modernos saqueadores, gente que trocou o ataque aos mercadores, pelos viajantes. Diante de nossa resistência começam a ficar impacientes, agressivos, não entendem pq não queremos dividir com eles nossas "riquezas." 

A viagem segue por Saladino, a cidadela que por mais de 700 anos foi residência dos governantes egípcios, tendo grande importância histórica, o autor descreve os principais pontos turísticos, as pirâmides, o comércio de dromedários, passa por Mênfis, Alexandria, o Deserto do Saara, O vale do Nilo, descreve as aventuras ao fugirem do roteiro turístico tradicional, e encerra o roteiro em Tebas e na famosa maldição da múmia.

O livro não se baseia apenas em um relato de viagem, o autor complementa o conteúdo com um pouco da história do povo árabe, da cultura, política, religião e costumes do país e de seu povo.
É sem dúvidas, uma ótima dica de leitura! ;)

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Como Ser um Pirata (Volume II)

Título: Como ser um Pirata
Autor: Cressida Cowell
Editora: Intrínseca
Páginas: 221
Ano: 2010














O que poderia dar errado durante um treinamento em alto-mar para ser um pirata?

Com Soluço TUDO poderia acontecer, e aconteceu!


No meio da primeira aula em alto mar uma violenta e enorme onda quebra seu barco ao meio. E no desespero e medo de morrer afogado, eles acabam se segurando em algo... Um caixão com o seguinte aviso: "CUIDADO! NÃO ABRA ESTE CAIXÃO


Era o caixão  do seu tataravô Barbadura, O Terrível e Soluço descobre isso ao ler o seguinte recado entalhado com sangue no caixão: "Amaldiçoado seja aquele que perturbar os restos mortais de Barbadura, o Terrível, o maior pirata a ter aterrorizado as Ilhas Internas."

Conta a lenda, que após vinte anos de glorioso reinado, Barbadura desapareceu junto de seu tesouro e sua espada "Lâmina da Tempestade", a maior espada viking de todos os tempos.

Stoico o Imenso, pai de Soluço fica orgulhoso  da descoberta do filho que enfim esta se tornando um digno herdeiro, e contradizendo todos os avisos de perigo, Soluço, Banguela e perna de peixe resolvem abrir o caixão!!!!!! E todos levam um enorme susto ao se deparar como o que havia lá dentro.......

próprio Barbadura?
O tesouro?
A espada?

Leia e descubra.....

"Como Ser Um Pirata" é o segundo volume da série "Como Treinar Seu Dragão", da autora Cressida Cowell, que nos conta mais uma aventura do nosso querido aspirante a chefe da Tribo dos Hooligans Cabeludos: Soluço Spantosicus Strondus III, seu amigo Perna de Peixe e seu dragão Devaneio Banguela cada vez mais preguiçoso e dissimulado.



Leve, divertido, com frases engraçadas,  e desenhos que contextualizam a história, uma leitura direcionada ao público infanto juvenil, mas que agrada a crianças, jovens e adultos.

A marcação de fontes nesse volume acrescentou mais novidades. Assim como para demarcar gritos e as falas de dragões, foi colocada uma nova fonte para o latim dos romanos. O que enriquece a parte gráfica, que já é bem diversificada.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Histórias mal assombradas em volta do fogão de lenha

Título: Histórias mal assombradas em volta do fogão de lenha
Autor: Adriano Messias
Gênero: Contos (fantasmagóricos)
Editora: Biruta
Páginas: 90
Ano: 2007 (3° edição)










Quem nunca ouviu uma história do saci-pererê? Geralmente contada pelos seus avós ou pelos seus pais, quando estes, viviam na roça. Ou as aparições da mula sem cabeça? Que vô nunca relatou ter ouvido a procissão das almas, e garante, firmemente que abriu um vãozinho da janela e viu as almas caminhando pela rua, viu mesmo, com seus próprios olhos! E o lobisomem, então? Que sempre aparecia rondando a casinha de palha nas noites de lua cheia, amedrontando toda a família? Quem nunca viu uma sereia e tapou os ouvidos para não ser enfeitiçado? Claro que o seu avô, aquele velho contador de histórias, tinha um vizinho que era pescador, e que em certa noite, foi enfeitiçado pelo canto da sereia e nunca mais foi visto. Quem nunca acordou pela manhã e encontrou seus cavalos com os rabos todos trançados? E exclamou "-Coisa do saci, aquele negrinho travesso de uma perna só!" Cuidado; ele também esconde as suas coisas, só para te ver procurando feito tonto! E não deixe suas roupas no varal, elas podem amanhecer cheias de barro, e com certeza foi obra do saci! Menino travesso esse! E aquela mulher estranha e feia que todos achavam que era uma bruxa ou uma mulher que foi enfeitiçada e se transformou em um monstro? É tudo verdade! Seu avô jura tê-la visto preparando uma poção mágica com rabo de rato e asas de morcego, e afirma que conseguiu fugir do feitiço dela! E você certamente acreditou!!!
E quem nunca foi assombrado pela Cuca quando era criança? Vocês sabiam que ela rouba criancinhas que não obedecem os adultos? E ela é uma velha muito feia e se parece com um jacaré! Quando eu tinha dois anos meu irmão me dizia que tinha um jacaré de baixo da minha cama, que iria comer o meu pé se eu descesse dela. Claro que eu nunca acredite nisso!
Tá, eu acreditei... Afinal, que criança não tinha medo da Cuca? Ainda mais depois de ver, no sitio do pica pau amarelo, que ela realmente existia?
Tinha também o bicho papão, tinha o homem do saco... Mas o que nos intrigava mesmo eram as lendas da roça, aquelas contadas pelos nossos tios, pais e avós, lendas que por estarem envolvidas em todo aquele místico ambiente da floresta, nos traziam a sensação de suspense, de medo do breu, do silêncio, do desconhecido, dos seres sobrenaturais que alí habitavam. Você sabia que era tudo mentira (não sabia não, e acreditava em tudo!!!) mas se divertia passando horas e horas ouvindo essas histórias fantasmagóricas... Pois bem, é disso que trata o livro de Adriano Messias, um adolescente que resolveu registrar em seu caderno as histórias mal assombradas contadas pelo seu avô, aquelas histórias que ele não se cansava de repetir, e você, claro, nunca cansou de ouvir! É um livro simples, de fácil e rápida leitura, mais indicado como infanto-juvenil, mas que traz para nós, adultos, aquele gostinho de infância e saudades do seu avô te contando histórias ao lado da lareira madrugada a fora...

Dica importante: Leia depois da meia noite, em uma sexta feira de lua cheia, quando estiver sozinha em casa. :O

terça-feira, 22 de abril de 2014

O que a vida me ensinou - Heródoto Barbeiro


Título: O Que a Vida me ensinou
Autor: Heródoto Barbeiro
Editora: Saraiva
Páginas: 127
Ano: 2012












Heródoto Barbeiro é escritor, e jornalista na Record News. Já Passou também pela CBN e TV Cultura.

No livro ele fala principalmente das pessoas com quem ele aprendeu algo, da convivência com aqueles que tinham algo a acrescentar como lição de vida, não só pessoas, como animais, natureza, religião, vida profissional... Pessoas e situações que o fizeram crescer .
De maneira simples e objetiva, ele consegue passar uma mensagem de lição de vida, como cidadão, como profissional, como ser humano, alem do aprendizado espiritual também. Uma lição de vida completa em uma leitura muito agradável que nos passa a simplicidade de um ser humano rico em sabedoria.

Adorei o livro!

"Foi com Seu Manoel Raimundo que aprendi a diferença entre a sabedoria e a 
cultura tradicional. Ele mesmo era um sábio, ainda que mal soubesse ler e escrever. Ser culto não é necessariamente ser sábio, e os homens que homenageio na abertura desse livro eram sábios, ainda que nenhum deles tivesse entrado em uma universidade."

"O fundador da minha religião, dizia para não se acreditar em nenhuma palavra dele, mas que eu experimentasse. Um ensinamento estranho para quem queria fundar uma religião. Experimente,  duvide, forme sua própria opinião e convicção".


"A Velhice não se mede pelas rugas e pelos cabelos brancos, mas pela proximidade com a morte. E quem sabe de nossa distância em relação à ela?"


Outros autores da coleção "O que a vida me ensinou"
Mario Sergio Cortella
Washington Olivetto
Amalia Sina

Reinaldo Polito

domingo, 30 de março de 2014

A arte da felicidade - Um manual para a vida.




Título:  A arte da felicidade - Um manual para a vida
Autor: Dalai Lama e Howard C. Cutler
Editora: Martins Fontes
Gênero: Psicologia/Auto-ajuda
Ano: 2002
Páginas: 357









Você é feliz?
O que é felicidade para você?
O livro "A arte da felicidade" traz em uma mescla de religião, psicologia e auto-ajuda várias dicas sobre como ter uma vida mais feliz. O psicólogo Howard C. Cutler entrevista sua santidade, o Dalai Lama, sobre como levar uma vida com maior satisfação e bem estar. Quais os fatores importantes para conquistarmos a felicidade, bem estar e paz de espírito, e como colocá-los em prática na nossa vida. Uma rica conversa entre um psicólogo ocidental e um monge budista sobre fatos pertinentes à condição humana, como a dor, o sofrimento, a perda, a raiva, os problemas... Como lidar com essas situações e torná-las menos significativas na nossa vida.
Apesar da sua formação budista, o livro não é baseado apenas na religião, O Dalai Lama tem uma visão mais ampla, se mostra um profundo conhecedor da mente humana e do nosso comportamento perante as adversidades. Suas técnicas são baseadas no treinamento da mente, condicionando-a à um pensamento mais positivo, assim como as técnicas de psicoterapia e terapia comportamental que a ciência usa para combater vícios e maus hábitos. O Dalai Lama vai um pouco além desse conceito científico e acrescenta a importância de cultivarmos atributos positivos como o amor, a paciência, a compaixão, a generosidade, tendo em vista a ideia de que os estados mentais negativos são obstáculos para nossa felicidade e devem sempre ser substituídos por pensamentos e atitudes positivas, além da importância de termos bons relacionamentos humanos e desenvolvermos empatia.

"Se for possível, servir aos outros. Se não for possível, ao menos procurar não prejudicá-los. O propósito da nossa vida precisa ser positivo. Não nascemos com a finalidade de causar problemas ou prejudicar os outros. Para que nossa vida tenha valor, creio que devemos desenvolver boas qualidades humanas; o carinho, a bondade, a compaixão. Com isso nossa vida ganha significado, e se torna mais tranquila, mais feliz." (Dalai Lama)

O livro é realmente um manual para a vida como sugere o subtítulo, e nos faz refletir a cada página, nos faz enxergar que somos cúmplices dos nossos problemas e que muitas vezes somos nós quem os criamos. Um bom exemplo disso é a história citada a baixo:

"Na sua primeira consulta, um senhor de meia idade, bem tratado, trajando com elegância um austero terno escuro Armani, sentou-se com uma atitude educada, porém reservada e começou a relatar o que o trazia ao consultório. Falava bastante baixo, com voz controlada, comedida. Percorri a lista de perguntas normais, descrição da queixa, idade, formação, estado civil...
-Aquela vagabunda! Gritou ele, de repente, a voz espumava de raiva. - A peste da minha mulher. EX-mulher agora. Ela estava tendo um caso em segredo! Depois de tudo que eu fiz por ela! Aquela piranha!
Sua voz foi ficando mais alta, mais furiosa e mais cheia de veneno, enquanto ele repassava queixas e mais queixas contra a ex mulher ao longo dos vinte minutos seguintes.
A sessão estava chegando ao final, percebendo que ele estava ganhando ímpeto e que poderia facilmente continuar a falar daquele jeito por horas, tentei redirecioná-lo:
-Bem, a maioria das pessoa tem dificuldades para se ajustar a um divórcio recente, e sem dúvidas esse é um assunto do qual poderemos tratar em sessões futuras. Disse eu, em tom conciliador. -Por sinal, há quanto tempo está divorciado.
-Há dezessete anos. Completos em maio."
(Howard C. Cutler)


Mais do que um livro de auto-ajuda, de psicologia humana, ou de ensinamentos religiosos. O livro traz uma leitura que nos ajuda a crescer como seres humanos, que nos ajuda a refletir sobre nosso dia a dia, que nos ajuda a lidar melhor com as situações que nós encaramos como um problema.

domingo, 16 de março de 2014

Alexandre e outros heróis.


Título: Alexandre e outros heróis
Autor: Graciliano Ramos
Editora: Record
Ano: 1962 (1° edição)
Páginas: 239












O livro traz histórias fictícias pertencentes ao folclore nordestino, contadas pelo personagem Alexandre, um velho vaqueiro e caçador, um grande contador de histórias, histórias que atraiam os moradores da vizinhança à ouvi-lo, histórias que o povo do interior adora contar, que todos sabem que é lenda, e ainda assim não se cansam de ouvir.

Alem das histórias de Alexandre, o livro tráz também mais dois textos; o primeiro é uma narrativa escrita para concorrer ao prêmio de literatura infantil do ministério da educação. Conta a história de um menino que era diferente dos outros, não tinha cabelos e tinha um olho azul e outro preto, vivia sozinho, e era zombado pelos demais garotos. Então ele entra em um mundo de imaginação, onde encontra um lugar em que todos os meninos são iguais à ele, todos sem cabelos e com um olho azul e outro preto, que vivem em um lugar completamente diferente do mundo real. Ali ele faz muitos amigos e descobre que lá também há meninos, de alguma forma, diferente dos demais.

O último texto, também escrito para concorrer à um prêmio literário, traz um resumo do Brasil republicano desde sua proclamação até os anos 30, citando governo por governo, com breves comentários sobre os principais acontecimentos. 


(Um livro um tanto eclético, não? Rs.)

Dois dos contos de Alexandre foram parar nas telas da Globo, confira no link:
Alexandre e outros heróis na tela da TV.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O imaginário cotidiano


Título: O imaginário cotidiano
Autor: Moacyr Scliar
Editora: Global
Gênero: Crônicas
Páginas: 180
Ano: 2001










Moacyr Scliar é autor de mais de 50 livros publicados em diversos países, com grande repercussão critica, e ganhador de vários prêmios, tendo obras adaptadas para o cinema, rádio, TV e teatro. Foi colunista no jornal Folha de S.Paulo, onde publicava contos fictícios baseados em noticias reais.

Desse trabalho surgiu o livro "O imaginário cotidiano" uma compilação com todas essas histórias, onde alem da enorme criatividade do autor, os textos contam também com muito humor e mensagens subliminares que levam o leitor a refletir sobre o tema abordado. À primeira vista os textos parecem bobos, se você ler sem prestar atenção, quando na verdade são refletivos, inteligentes e todos passam alguma mensagem, geralmente escondida por trás de um texto aparentemente bobo. É essa mescla de simplicidade e ao mesmo tempo criatividade e inteligência que faz o livro tão bom

Segue a baixo uma das crônicas do livro:


Nada como a instrução

"Rico estuda cinco anos mais"
cotidiano, 17 jul. 1998


-O senhor não me arranja um trocado? Perguntou o esfarrapado garoto com um olhar súplice. Outro daria o dinheiro ou seguiria adiante. Não ele. Não perderia aquela oportunidade de ensinar um indigente uma lição preciosa:
-Não, jovem. Respondeu.  -Não vou lhe dar dinheiro. Vou lhe dar uma coisa melhor do que dinheiro. Vou lhe transmitir um ensinamento. Olhe para você, olhe para mim. Você é pobre, você anda descalço, você decerto não tem o que comer. Eu estou bem vestido, moro bem, como bem. Você deve estar achando que isso é obra do destino. Pois não é. Sabe qual a diferença entre nós, filho? O estudo. As estatísticas estão aí: Pobre estuda cinco anos menos do que o rico.
O menino o olhava, assombrado. Ele continuou:
-Pessoas como eu estudaram mais. Em média 5 anos mais. Ou seja: passamos 5 anos a mais em cima dos livros. 5 anos sem nos divertir, 5 anos queimando pestanas, 5 anos sofrendo nas vésperas dos exames. E sabe por que filho? Porque queríamos aprender. Aprender coisas como o Teorema de Pitágoras. Você sabe o que é Teorema de Pitágoras? Se você soubesse, eu não só lhe daria um trocado, eu lhe daria muito dinheiro, como homenagem ao seu conhecimento. Mas você não sabe o que é Teorema de Pitágoras, sabe?
-Não. Disse o menino. E virando as costas foi embora.
Com o que ele ficou muito ofendido. O rapaz simplesmente não queria saber nada acerca do Teorema de Pitágoras. Aliás, como era mesmo o tal teorema? Era algo como o quadrado da hipotenusa é igual a soma dos quadrados dos catetos. Ou: o quadrado do cateto é a soma dos quadrados da hipotenusa. Ou ainda, a hipotenusa dos quadrados é a soma dos catetos quadrados.
Algo assim. Algo que só aqueles que têm cinco anos a mais de estudo conhecem.


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Como Treinar o seu Dragão (Volume I)

Título: Como treinar o seu dragão
Autor: Cressida Cowell
Gênero: Infanto-juvenil
Editora: Intrínseca
Páginas: 221
Ano: 2004















Soluço Spantosicus Strondus é filho único de Stoico o Imenso, chefe da tribo dos Hooligans Cabeludos. O por isso mesmo seu  herdeiro direto! 

Pequeno, magricela, desajeitado, baixinho, como ele se tornaria um chefe Vicking?


Pra piorar ele sai em busca do seu Dragão e volta com um Dragão de Jardim, ou Dragão Comum que se Chama Banguela, é como se ele tivesse conseguido um Pinscher.  Banguela, é preguiçoso, não está interessado em ser treinado, comilão e simplesmente não tem um pingo de respeito por seu treinador. Não obedece às ordens de Soluço,  é dissimulado e extremamente preguiçoso.


A princípio o único dom de Soluço é a capacidade de falar Dragonês, o que acaba sendo um ajuda no trato com Banguela.



A série é descrita como as memórias de Soluço Spantosicus Strondus III e teria sido foi traduzida do Antigo Norueguês por Cressida Cowell.



Com um  toque de humor próprio ao publico infanto-juvenil e com ilustrações feitas à mão como que por crianças.




Ao que tudo indica, pode ser o começo de uma grande amizade entre Soluço e Banguela, ou não?


É um livro infanto juvenil, mas pode bem agradar a adultos.!

sábado, 18 de janeiro de 2014

Acontece...


Título: Acontece...
Autor: Laé de Souza
Gênero: Crônicas/ensaios

Editora: Ecoarte
Ano: 2006
Páginas: 119












Uma carta não entregue

Querida Jô


"Escrevo essas linhas para que um dia, num momento de coragem, te entregue perfumadas como estão e com um gesto de carinho, acompanhado de um beijo de amizade.
Jô, longe de mim ter ódio de ti por escolher o risco da liberdade e a incerteza do vôo sem vislumbrar o horizonte. Seria ingratidão em demasia deixar de agradecer os tantos prazeres que me destes e seria extremamente mesquinho não querer compartilhar-te, além de egoísmo querer reter-te submetendo-te a me fazer feliz. Embora por várias vezes loucamente assim tenha pensado, quando teus desejos eram outros que não os meus.
Nunca tenhas remorso, pois jamais pensei que fosse obrigação ou dever teu continuar a me dar amor. Se não tivesse contigo cruzado, certamente em minha passagem por este caminho nunca teria sentido o prazer máximo ou sequer imaginado que viesse a existir. Onde quer que estejas, provavelmente estarás mais ocupada em fazer alguém feliz do que em sê-lo, pois, pela própria natureza, te é inerte transmitir alegria e amor. Que o meu sofrimento nunca seja motivo de diminuir tua alegria. Bem sabes que depois de ti nenhuma mulher conseguirá me preencher, e certamente maior do que a tristeza de te perder seria a de não tê-la conhecido.
Conte comigo sem nenhum receio, mesmo que com isso eu espante de vez a esperança da tua volta. Saiba que tu fostes a coisa mais linda que passou por minha vida e que continuo vivendo. E ainda, que guardo comigo a lição que me ensinastes, de viver intensamente os momentos e nunca imaginar a incoerência de ter ódio por quem já se amou.
Continuo regando aquela tua roseira vermelha que murchou por uns tempos, mas já está se abrindo outra linda flor..."


Bartô




O livro traz, alem de crônicas, algumas reflexões e opiniões do autor. Dentre todas a que mais me chamou a atenção foi esta, Uma carta não entregue, pelo desapego do "deixar ir" do "permitir que o outro seja feliz sem você" do "reconhecer que ninguém é obrigado a te amar para sempre só pq te amou um dia" do "nunca imaginar a incoerência de ter ódio por quem já se amou." Pelo sincero e genuíno sentimento nela demonstrado, que só existe em um personagem fictício como este, e que contrasta com a realidade; o sentimento egoísta e possessivo que temos pelo outro e que equivocadamente chamamos de amor.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Mitos indígenas


Título: Mitos Indígenas
Autora: Betty Mindlin
Gênero: Contos
Editora: Ática
Ano: 2006
Páginas: 146









-Era sempre  dia, até que então, a noite escapou!
-Escapou? -De onde?

-Ela vivia presa dentro de um coco! Algum curumim curioso quebrou o coco e a noite escapou! Aí o pajé teve que prender a noite num coco de novo!"
(...eu creio que isso aconteceu ao amanhecer... rs)

Esta é uma lenda indígena, daquelas que todos nós conhecemos e ouvimos desde criança. O livro traz várias destas histórias toscas criativas, inventadas pelos povos indígenas.
Cada povo, em cada parte do mundo, em cada tempo da história, tem suas respostas para explicar o ambiente que nos cerca e tudo que faz parte dele. Quem teria inventado o sol? A lua? As estrelas? De onde surgiram as pessoas? Os animais? As plantas?
E os raios, a chuva e o trovão? Os índios têm uma versão da história bem diferente da lenda nórdica de Thor e seu martelo, mas certamente não perdem em criatividade e imaginação.

Tudo aquilo que a ciência não explica o homem inventa. E quanto maior a ausência de informação, mais espaço na mente humana para fluir a imaginação em busca das respostas.
Por mais toscas que essas história possam nos parecer, vale a pena conhecer um pouco das crenças dos povos indígenas brasileiros, e de sua enorme imaginação para criar histórias.